O que estamos vivenciando no Brasil e em outros países é uma situação muito séria. Não porque o coronavírus seja extremamente perigoso e mortal, pois tirando a faixa de risco da terceira idade, as outras não correm risco iminente, mas sim porque o mundo não estava preparado para o que aconteceu (estrutura hospitalar, vacina, informação, etc.).

Em razão disso, medidas extremas foram e estão sendo tomadas para conter a propagação do vírus, para que não exista uma ruptura em um sistema econômico/social vigente. As consequências serão muito sérias, com muitas empresas e pequenos comerciantes fechando suas portas. Mas, a mais importante é a comportamental.

Meu texto é para falar com vocês sobre esse comportamento. Analisando o fato, entendo que haverá uma mudança no comportamento futuro com referência a pequenos preconceitos anteriormente existentes. Haverá uma aceleração desse comportamento em razão de necessidade humana. Tentarei exemplificar abaixo:

O home office, por exemplo, será colocado a prova e veremos o que os KPIs (indicadores de produtividade) nos mostrarão. Caso o resultado seja positivo, será inevitável as empresas adotarem esta forma de trabalho, em razão principalmente de custos, muito mais baixos. Isso impactará na relação de emprego transformando-se em relação de trabalho. As empresas precisarão de lugares menores para sua estrutura e as pessoas de lugares melhores para viver.

Outro comportamento alterado e que será testado é o das compras online. Não me refiro as dos marketsplaces, mas sim as compras diárias das pessoas, como no supermercado, onde ver a verdura ou fruta é considerado importante, ou ir a uma farmácia e ter que deixar a receita, comprar camisinha, tampax, etc. Se perdermos este pré-conceito (não preconceito), possivelmente não voltaremos a ser como éramos. Isso implicará em mais mão de obra nos aplicativos de entregas e mais estrutura de logística aos mercados, farmácias e restaurantes.

Mais um comportamento alterado a ser testado será o dos nossos alunos de escolas e faculdades, que terão as aulas em sistema de EAD (Educação a Distância). Isso muda todo um planejamento feito pelas instituições, e certamente esta forma de ensino não sairá da vida estudantil. O EAD já vem numa crescente, mas realmente será colocado a prova agora. Isso impactará no cotidiano familiar que também não está preparado, e na responsabilidade do aluno.

Obviamente, não posso deixar de pensar em Resolução Online de Conflitos. Acredito que outro preconceito que deve e precisa ser alterado, será o das audiências judiciais online. Acredito que as pessoas irão preferir resolver seus problemas de forma online, tanto na justiça quanto fora dela, não existindo a possibilidade do Poder Judiciário ficar paralisado em razão de sua importância para a sociedade. Nesse momento, escritórios de advocacia, as câmaras e plataformas virtuais podem auxiliar os tribunais e as pessoas a por um fim em suas demandas, por meio da composição amigável, da decisão judicial ou arbitral.

Em um texto meu anterior, disse que alguns escritórios e empresas ainda estavam em fase de maturação. Bem, se esse movimento ocorrer, teremos uma aceleração quanto aos meios de resolução de conflitos online, não mais por uma necessidade dos tribunais, mais sim, por uma aceleração comportamental humana. A necessidade humana se sobressaí a qualquer outra. Cabe a nós darmos uma solução.

Que nesse momento possamos nos unir, para juntos, passarmos por todas as mudanças.

São Paulo 16 de março de 2020.

Carlos Savoy