Hoje fui questionado sobre a mediação feita virtualmente e qual minha opinião de como será o futuro, quando a pandemia terminar.

Minha resposta foi “O vírus vai embora, mas seus efeitos e transformações ficarão”.

O foco da minha opinião (e se é apenas uma opinião, dou o direito de interação a todos) é apenas ao que tange o desenvolvimento de ODRs (Online Dispute Resolutions) e MASCs (Métodos Adequados de Solução de Conflitos) no Brasil em razão de alguns comportamentos humanos, nesse momento difícil que todos passamos.

Entendo que estávamos acostumados com situações cotidianas e simplesmente não parávamos para pensar em uma forma de evolução, a não ser que gerasse algum lucro, ou seja, sempre vinculada com o fator financeiro somente.

Com o Covid19, ficou escancarado uma série de comportamentos, que poderiam ter sido adotados anteriormente, mas que por estarmos sempre acostumados a um jeito de realizar as coisas, não mudamos.

Hoje, vimos quanto a vida e a economia são frágeis, passamos a dar valor a pequenas coisas e começamos a questionar o porquê de uma série de coisas: por que temos que pegar tanto trânsito, por que temos que ir ao escritório trabalhar, por que vivemos no meio de tanta poluição, etc.

Depois de um período de isolamento, também passamos a ter a necessidade de nos comunicarmos com familiares e amigos queridos, e iniciou-se uma série de videoconferências de “happy hours”, de reuniões familiares, aniversários. A necessidade humana se sobressaiu à indefinição financeira que muitos sofrem, e passamos a ter uma vida bem mais simples.

Obviamente, que quando a pandemia passar, aos poucos retornaremos a normalidade, mas muitos comportamentos permanecerão. Alguém tem dúvida que teremos sempre a mão um álcool gel, que muitos empregados trabalharão em “home office”, que esses empregados poderão ser contratados por empresas estrangeiras, sem precisar de vistos de trabalho, e que repensaremos muitas outras coisas.

Da mesma forma, a Justiça e sua forma de atuação serão modificadas. Hoje os advogados, juízes e os próprios clientes terão audiências online, em qualquer fase ou instância processual. E essa realidade não voltará a ser como antes.

Mesmo depois da pandemia, você vê lógica em ter que se deslocar de uma cidade ou bairro distante, para uma audiência? Quantas horas são perdidas por causa de um compromisso no Fórum, sendo que a outra parte pode nem comparecer ou não querer um acordo, no caso da audiência de conciliação. Quantos documentos eram assinados presencialmente e hoje podem ser assinados digital ou eletronicamente? Quantas soluções a Inteligência Artificial poderá oferecer dentro dos padrões legais e com segurança jurídica.

Atualmente temos tecnologia suficiente para que os advogados, magistrados e clientes se sintam seguros quanto aos procedimentos online.

As “legaltechs”, “lawtechs”, câmaras virtuais e presenciais estão aí nos mostrando funcionalidades incríveis para negociar, conciliar, mediar e arbitrar soluções adequadas para as partes. Os princípios da autonomia da vontade e da dignidade da pessoa humana, mostram que o direito deve prevalecer sobre o processo, e não ao contrário.

Que possamos evoluir como pessoas, empresas e instituições.

Estamos somente no início de uma mudança… e o melhor ainda está por vir!

Carlos Savoy